Maioria das empresas reage tarde a ciberataques

Maioria das empresas reage tarde a ciberataques

26/08/2026 | Rodrigo Barreto

Investir em tecnologia virou prioridade para praticamente todas as empresas, mas nem sempre esse movimento vem acompanhado de uma pergunta fundamental: a estrutura de TI está pronta para sustentar esse crescimento com segurança? Um novo levantamento se propôs a investigar essa lacuna, cruzando ganhos de produtividade com o nível real de preparo das organizações diante de ameaças digitais. 

 

Segundo estudo conduzido pela DMK3, a adoção de sistemas integrados pode elevar a produtividade operacional em até 40% e cortar em mais de 30% os gastos com soluções sobrepostas. Ao mesmo tempo, grande parte das corporações ainda trata a segurança digital como algo reativo, resolvido apenas quando o problema já aconteceu, e enfrenta resistência interna para colocar essas mudanças em prática.

 

Produtividade e corte de gastos: benefícios que já podem ser medidos

 

De acordo com dados da SolarWinds, centralizar a supervisão de redes, servidores, aplicações e ambientes virtualizados em apenas uma ferramenta gera ganho médio de 20% a 40% na eficiência das equipes de TI. Na prática, isso significa menos tempo gasto levantando informações manualmente e caçando falhas espalhadas pelo sistema, além de mais automação.

 

O impacto financeiro segue na mesma direção. A unificação tecnológica reduz o desperdício orçamentário, e o uso de plataformas direcionadas gera economia de 15% a 30% em licenças e infraestrutura de monitoramento. Em estruturas hiper convergentes, essa economia em armazenamento, redes e processamento pode chegar a 40%.

 

Para Mirella Kurata, fundadora e CEO da DMK3, os números confirmam algo tratado apenas como discurso nas empresas. “Simplificar o monitoramento e a estrutura resulta na redução de despesas operacionais e libera as equipes para funções mais estratégicas dentro do negócio”.

 

Empresas crescem, mas a segurança não acompanha

 

Se a parte da produtividade traz boas notícias, o cenário de segurança digital revela uma fragilidade preocupante. Conforme estudo da Kaspersky, 77% das organizações já sofreram pelo menos uma violação depois de expandir sua estrutura tecnológica.

 

O volume de incidentes também impressiona: centros de operações de segurança (SOC) identificam, em média, dois incidentes graves por dia. Como a digitalização acelerada é vista pelo mercado como um caminho sem volta, a tendência é de piora no cenário.

 

No entanto, a capacidade das empresas de reagir a essas ameaças não cresce no mesmo ritmo. Apenas 31% das companhias têm hoje um protocolo estruturado para lidar com ataques cibernéticos. A maioria ainda age no improviso, apagando incêndios quando a invasão  já está em curso, em vez de trabalhar com prevenção.

 

Mirella resume o risco de forma direta. “Avançar digitalmente sem governança e maturidade em segurança só amplia as vulnerabilidades da empresa. Ter um plano formal de resposta a incidentes deixou de ser um diferencial e tornou-se condição básica para manter a operação funcionando”.

 

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